sábado, 28 de maio de 2016

VIOLÊNCIA

E no trânsito caótico do shopping Iguatemi Meus olhos achavam em cada esquina um derrotado Zumbi E as lagrimas em meus olhos expressam o que eu senti Vendo os outros pretos, de moto, apanhando em uma blitz. Dizem que salvador é a “cidade cartão-postal” Mal sabem eles que atrás das fotos é que está o verdadeiro mal Vivendo em poltronas e escritórios com ar-condicionado Enquanto o povo derrete de calor do outro lado. E eu aqui em pé esmagado nesse ônibus-pau-de-arara, Não sei explicar pra gringo o que significa “mara”, Porque de maravilhoso, assim, não tem quase nada. E que nesse calor de salvador, quando pedimos uma chuva fina Choramos ao saber que em algum lugar da cidade algo vai alagar Essa é a nossa triste sina. Porque viram armas dizem que o Brasil é violento Mas a verdadeira violência está onde não se pode ver: Como quando nos acostumamos com desmoronamento, Quando preferem acreditar mais na mídia do que em você Ou quando não podemos fazer feira por falta de pagamento Do nosso árduo trabalho em não cairmos nessa loucura E preferimos ir no boteco beber . Se quando tem oferta também tem procura Então como faremos com a nossa mundial cultura Que incentiva a repressão, violência e a tortura? Como um legista eu procuro saber sobre o mar morto E morreu como? A base de lixo, óleo e Omo Nas, não mais brancas, espumas do mar Intoxicando Iemanjá E ainda querem que, suas casas, o tsunami não destrua Então já comecem a aprender a nadar. A televisão diz que a PM é pra nos proteger Mas quando o ladrão é a polícia quem protege você? Eles dizem que a favela é lugar de ladrão, macumbeiros e fracassados Mas o que eles não falam é que lá dentro, entre si, são muito amados Revolucionando esse mundo estruturado à base da violência e desgraças alheias Vivendo a lá Spider-Man, cercados de infinitas teias De dor. E eu fico aqui pensando quando, de novo, descer o Salvador Fico aqui apenas imaginando a sua dor De ver uma cidade montada a base de seu nome E a maioria da população tomados pela fome E quando vier abrir de novo o rio vermelho, Porque de mar aqui não resta mais nada, Fico imaginando se, ao ver a água vermelha, ele vai achar que é Tang Quando, na verdade, o que está escorrendo é nosso próprio sangue. Mas tenho certeza de que se isso ocorrer hoje em dia O próprio Jesus, para manifestações, junto iria E por isso, também apanharia, Também morreria, Mas, pelo menos, saberia Que, quando necessário, o amor de verdade Não recusa barulho ou grito Pra lutar por dignidade.
G.F.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O PESO DO GRITO DA FUMAÇA

Sinto o peso me esmagar. O peso do oceano De sofrimento e emoções Alheios. O peso das minhas vidas Passadas e futuras. O peso da hereditariedade E herança. O peso da insustentável Leveza do ser. É muito peso!!
O grito é necessário:
Mas o que eles não sabem É que eu choro e grito Ao fumar.
Afinal, o trago é O exemplo Do prazer Que vem da dor.
Pois, soltar a fumaça, Nada mais é do que Soltar aquele grito Engasgado na garganta.
G.F.

terça-feira, 17 de maio de 2016

(NÃO) PERDOEM NÓS, OS POETAS

Perdoem nós, os poetas, Se nos distanciarmos Dessa conduta demarcada Por cabeças pisadas E por papel contado. Perdoem nós, os poetas, Por sofrermos com os nossos E de usarmos nossos poemas Como navalhas e marretas Para nos salvarmos da ampulheta Nessa selva de lobos.
Perdoem nós, os poetas, Quando começarmos A gritar esperanças por aí, Colocando para sangrar Nossas gargantas E os ouvidos alheios.
Pois, nós, os poetas Consumimos a poesia E o tempo para nós Nos é inútil. Vivemos na busca Do oásis do amanhã...
Pasárgada!!... Onde não precisamos nos humilhar Por comida e um novo lar, Um mundo onde o amor seja lei E onde todos sejam reis. Pois, vivemos do amor e poesia Por isso, Perdoem nós, os poetas Perdoem-nos... Ou melhor... Não perdoem nós, os poetas Perdoa a ti. E nós (não) perdoamos vocês.
G.F.

terça-feira, 15 de março de 2016

A INDECÊNCIA DA IMENSIDÃO

Hoje a lua me falou de você. E o sol fez questão de me mostrar Que dentro do brilho de teus olhos O pássaro que mora em meu peito Iria pousar Na imensidão de suas finas linhas. Pois, seus traços são os reflexos Do amor entre a luz do sol E o brilho do mar. Perdendo os sentidos, Talvez eu até não precise viver Quando estou a sentir. Pois, nossos corpos falam entre si Seguindo o balanço do mar: Indo e vindo, Somente a ofegar. Apenas seguindo nosso atos de amor O amor, renovando o pecado. E que nessa vossa imensidão Eu me achava em nossa indecência. Mas, nesse nosso jogo de amor, Sem a necessidade do ter, Meu peito, finalmente, assumiu a autonomia do meu ser. E continuo vivendo dessa Indecência da imensidão, De haver, em vossa mão, O meu coração. G.F.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CIDADE (DE) PRA QUEM?!

É o desamor
Que reina na rua,
Em pleno carnaval.
Mostrando a face crua
Do verdadeiro mal
Por trás das máscaras da avenida.

Num oceano de peles brancas,
Camisas coloridas e ostentação
A maldade tem cor
De pele.
Quando rola o bloco do povão:
"Não vá!!"
Que, para eles, só tem preto ladrão,
"É arrastão!!"

Eu só oro para que
Pare com isso, Deus.
Não desampare seus filhos.

Mas, a voz do povo não é mais
A voz de Deus,
Pois, Deus está em cima do camarote
Mandando os milico fazer
Corredor polonês,
Onde os negros e ambulantes
São o alvo da vez.

Os fardados abrem
Espaços na multidão
E se você, preto fora da corda, vacilar...
Bad tum,
Tá no chão.

A cidade do mar
E a festa do axé,
São do povo,
Que tem cachê pra molhar a mão
Do policial
Quando for abordado doidão;
Enquanto, que o sangue de uma mãe que apanhou
Escorre pela rua,
Só porque seu isopor
Não tinha sido credenciado;
É acordada aos chutes
A tia que dormia no papelão,
Apenas pra desocupar o lugar
Que o prefeito quer sentar;
Um catador morre à pauladas,
Só por tentar pegar uma latinha
No pé da CHOQUE;
Um neguin de relógio
Na avenida é abordado,
Levando logo sopapo,
"Porque?"
"Isso deve ser roubado!"

O cheiro do sangue da pipoca
Escorrendo dos cassetetes dos Suínos,  
Cuja violência e repressão
Viraram hino,
Exala no ar.

No massacre que eles criam,
Caem salivando
E mastigando
O corpo dos inferiores.
A segurança virou temor,
A farda virou pele
E o distintivo virou esplendor.

A visão da cena é arrepiante,
Extasiado,
Eu desmorono
E a raiva e impotência tomam conta.

Meu orixá me avisou
De que o jogo virou.
O mundo já tem dono, bê
E o nome dele é: PODER!!

A cidade foi excomungada,
Do povo da periferia, desabitada,
E, de novo, a arma foi colocada na boca
De quem tanto vai para a forca.
E isso a televisão não exibirá:

O Apartheid brasileiro!!! 

Mas a tempestade chegará!!

RE-Tomem de volta a cidade,
Filhos de soterópolis,
Vamos, essa selva cinza,
RE-Conquistar!!

Afinal, a cidade é de quem?!
Cidade pra quem?!

G.F.

SECAMARGURA

Oh, meu Deus,
Será que o senhor, conosco,
Se arretou?!
Fazendo, assim,
Todas as nuvens parar
De nos dar toda a chuva que, nelas, há

Meu Deus, se eu não rezei direito
Ou pedi de mal jeito,
Peço que o Senhor me perdoe,
Acho que a culpa foi
Dessa minha pobre pessoa,
Que, de tão desesperado,
Não soube fazer uma oração.

Meu Deus, me desculpe
Eu pedir a toda hora,
Com o coração cheio de mágoa,
Pra o sol, de fininho, se arretirar,
Pra cair um tiquinho de água nessa imensidão,
Pra ver se nasce um alface no chão.

Senhor, me desculpe
Eu implorar para chegar o inverno,
Desculpe pedir para acabar com esse inferno
Que, dentro de mim,
Vejo se materializar,
Na minha Paramirim.

Nessa minha vida,
Que, parecida com cebola cortada,
Já me fez muito chorar,
Vira espinho de Mandacaru
Que adora me arranhar.

Mas que, mesmo com tanta
Secamargura,
Só me faz, por essa minha terrinha,
À cada dia, me apaixonar.

Pois, só deixo minha Paramirim
No último pau-de-arara.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

MIGRAÇÃO

De beijo em beijo
E de Karma em karma,
Eu digo “hello” aos meus desejos
E “hasta la vista” à quem me alarma.
Trabalho com a briga de nossas vidas
Pela nossa soltura,
Como duas andorinhas azuis,
Migrando.
Azul, pelo nosso desejo
E migrando pela nossa necessidade
E nosso gracejo,
Soltos,
Em nossa natureza.
Então vamos para o nosso verão
Em outro hemisfério, Mon Amour.
Apenas, para que possamos,
Novamente, migrar,
Sem alguma dúvida ou temor.
Colhendo novos frutos,
Fechando portas,
Mudando ciclos,
Largando rotas,
Trabalhando e vivendo
Desse nosso apego
Pelo desapego.
E em nossas características mais sacanas
E primitivas possíveis
Nos vejo sorrindo
Nesse corredor de migração.
E eu, com esse meu coração
De poeta,
Sem reboco
Nem acabamento,
Sobrevivo sem passado,
Nem ressentimento,
Desse nosso voo interior.
Nos vemos em nosso próximo verão,
Minha passarinha.
Eu sei, é uma pena...
Só não sei se de andorinha
Ou de alguma ave de rapina.
Que Ifá nos guie.
G.F.

MARGINAL

Pois, hoje em dia,
Poesia, arte,
Vadiagem e marginalidade
São sinônimos.
E entre tantos versos,
Nos coletivos e frescões
Da vida,
Dependendo de dinheiro pra ida,
A poesia se vê esquecida,
Tentando convencer o cobrador
De que vai até em cima do motor.
Passando sem ser vista.
Aliás, nem passa...
Tem que pular a catraca.
G.F.

XANGÔ CHEGARÁ

Subi na pedreira do rei
Mas lá ninguém encontrei.
Meu Deus, nos acode, Senhor!!
Pois, nesse país,
Sumiu Xangô,
E em seu lugar
Veio um impostor.
Desde que esse azul e amarelo
Viraram verde,
Oxalá vê seus filhos
Morrendo de fome e sede.
Hoje, o Vale do rio doce
Já não Vale mais nada.
Vejo Oxum chorando por seu rio morto,
Asfixiando-se com a lama tóxica,
Por conta desse mundo torto.
Onde foi parar o machado do nosso benfeitor?
Virou instrumento de lenhador?
E agora a balança da justiça
Pesa mais pro lado do investidor.
O machado do rei,
Virou o martelo de madeira
Contra o réu,
Fazendo nossos irmãos,
Por conta da cor,
Nunca mais verem o céu.
Os descendentes de Oió,
Vivem de violência, fome e opressão,
Nascendo com sangue nos olhos.
Ogum já veio e falou
Que esse senhor tudo aqui largou
Para jogar capoeira no exterior.
Mas, digo Kawó Kabiecilê para quem acha que
Justiça é feita por leis,
Obá Iná à quem tem medo de viver
E amar.
Mas, esperem...
Obá mandou avisar:
Que Xangô já, já, vai voltar.
Vem, venha Xangô,
Nos salvar de todo essa dor
E rancor.
G.F.

MEU ANJO DA GUARDA

Achei uma foto nossa hoje.

Aquela saudade que vem de mansinho
Apertou essa noite
E maltratou o peito, apertando-o.
Os soluços se entalaram
Em minha garganta,
Meu olhos marejaram
E escorreram aquela gota salgada
E imaculada.
Tu, que sempre foi tão precoce,
Cismou de ir embora cedo também,
Mas sei que foi bom procê,
Indo explorar o além.
Eu e sua mãe, chorando,
Com a esperança de que
Ainda iríamos te ver,
Me falou que agora você virou anjo,
E foi quando eu percebi que
Enquanto não te reencontro,
Com seu sorriso contente e pronto,
Vai ser como dizem:
As vezes perdemos o telhado
Pra ganhar as estrelas,
E já não bastava você me proteger
Na sua fase encarnada,
Você teve que ir embora
Pra eu ganhar um anjo da guarda.

Que Oxalá e Omulu te protejam,
Meu dourado, anjo Gabriel.
G.F.

20/10/2015

Dia do poeta:

O que é poesia?
Poesia, para mim,
São as coisas irreconhecíveis,
As verdades não ditas,
Os beijos dados
E dispensados...

É o caminhar pela cidade
E ver beleza nas rugas
De uma senhora de idade;
É ver, em um dia quente,
O sorriso, cheio de dentes,
De um catador de lixo
Após seu "Bom dia";
É você olhar o cão,
Uivar para o silêncio
Da noite e da escuridão
E saber que aquele som
É a criação animal
De uma belíssima canção.

É o observar da vida;
O viver da doce e fina
Linha de pensamento de que
Nem tudo é, somente, ilusão
Tristeza e podridão;
E de que a vida nos mostra
A cada dia sua participação,
Nos protegendo sem exigir,
Embora precise,
Nenhum tipo de gratidão.

É o sentir de tudo o que nos cerca:
Da interestelar luz do céu
À mundana terra do chão.

E abraçar à tudo!!

E o que é o poeta?

O poeta é aquele
Que consegue enxergar,
E sorrir para,
Toda essa beleza
No meio da multidão.

G.F.

CHORO DE OYÁ

E, olhando para o céu
Nublado,
Ouvi Iansã lamuriar,
Através das gotas que caiam,
Senti o céu chorar.

Vi o choro de Oyá.

Seu pranto,
Carregado de decepção
E desespero,
Para com seus filhos na terra
Que não conseguem amar.
Não sabem agradecer
O chão que pisam,
A água que vão beber
Ou a luz que os guiará.

Sua tristeza e
Mágoa puramente
Em estado aquoso
Se deixa cair no rio
Que corre para o sal do mar,
Levado por Oxum
Até Iemanjá.

E ela, entendendo esse
seu lado materno 
a pegou para,
Em seus braços,
Ninar.
E Oxum,
Com a inveja de sua carência, 
pela raiva se deixou tomar,
de um jeito que nem
Oxóssi, Logun Edé, Obá
Ou Oxalá
Pudesse acalmar...

Mas o que ela não sabe é que,
Mais raro do que é a raiva tomá-la,
É, na tristeza, sentir as gotas
E o som
do choro de Oyá.

G.F.

13/10/2015

Em homenagem ao dia do escritor.

Escrever:

O ato da criação
Da mera imaginação,
Movido pelo balançar da alma
E dos movimentos dos dedos
Da palma da mão.

"Escrever é fazer existir"

Existir o mundo,
Existir o amor,
Existir a dor,
Existir a cor,
Do fundo
De nossa alma
Preta e Branca.

Escrever é o ato mais simples,
Complicado pelo amor
Às palavras
E à vida.
E não tem coisa
Mais apaixonante,
E complexa,
Do que a poética ação
De tesão
Da escrita.

Acho que achei a definição:
Escrever é
Pura
Poesia.

G.F.

ACHAR

Não pense!!
Não começa a "achar"...
Porque o ato de "Achar",
Por mais tentador e instrutivo que seja,
Jamais poderá superar a primitiva vontade
Do "Ser".

Nesse Berçário,
De densidade,
Infinita
Dos Deuses,
Somos o resultado
dos átomos
E de todas as coisas infinitas.

Somos a perfeição
No seu grau mais
Imperfeito
Possível.
Então, vamos
De mãos dadas!

NÃO ACHE QUE É,
SEJA!!
NÃO ACHE QUE SENTE,
SINTA!!
NÃO ACHE QUE AMA,
AME!!
E NÃO ACHE QUE VIVE,
VIVA!!

Porque a vida não pode, e nem quer,
Depender da corda bamba
Desse seu "achar"

G.F.

sábado, 2 de janeiro de 2016

PAÍS-SENZALA

Na periferia ainda existe ditadura,
Violência e repreensão,
E que, para a maioria,
Os jovens são criminosos
Em formação.
E gritam pela redução da maioridade,
Pra colocarem, cada vez mais,
Jovens na prisão.
Errou ao nascer,
E a pena vai ser de morte.
Mas, e a pena de morte
Para a morte?
Pois, a favela é, para eles,
Seu próprio país
De medo, desesperança
E sangue.

E a cena se repete:
Páscoa, pão, vinho
E crucificação.
Soltem o Barrabás e
Vamos invadir o
Complexo do alemão,
Pra matar um garoto que
Segurava o caderno na mão,
E agora, caído no chão,
Vira só mais uma estatística
Em mais uma matéria do Estadão.

E só depende de onde
Querem ver nossas crianças,
Se sentados numa biblioteca
Ou sentados em suas celas.

Pois, num país de senzalas,
A paz e a justiça são privilégios
Da Casa-grande.

G.F.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

OS POETAS NÃO VÃO PARA O CÉU

Percebi que não irei para o céu.
Pois, ando ao lado das ações
E das ideias feias.
Eu me ocupo enfeitando o feio,
Até o feio seduzir o belo,
E que, dentro de teu cabelo,
Destrincho tuas mentiras meigas,
E mostro a verdade nua em pêlo.
E não irei atrás,
Desliguei a razão
Da tomada, meu bom rapaz.

Um ser irracional, como a aceitação
Do universo,
Me transformando, sempre, de cada topada
E escorregão meu em verso.
Pois, cada palavra, enfileirada em minha frente,
É um murro na ponta de uma navalha,
E que o sangramento eu, simplesmente,
Estanco em minha cara canalha.
Afinal, meu bem,
A vida é mais perigosa do que a morte,
E só conseguimos nos ver melhor
Quando nos jogamos na escuridão
Da vida e da sorte.

Eu mereço paz disso tudo,
Meu mulungo, meu bom capataz,
Paz dessa guerra de descelebrações
Que você faz.

Paz à mim,
Paz aos poetas.
Pois, os poetas não vão para o céu.

G.F.