Percebi que não irei para o céu.
Pois, ando ao lado das ações
E das ideias feias.
Eu me ocupo enfeitando o feio,
Até o feio seduzir o belo,
E que, dentro de teu cabelo,
Destrincho tuas mentiras meigas,
E mostro a verdade nua em pêlo.
E não irei atrás,
Desliguei a razão
Da tomada, meu bom rapaz.
Um ser irracional, como a aceitação
Do universo,
Me transformando, sempre, de cada topada
E escorregão meu em verso.
Pois, cada palavra, enfileirada em minha frente,
É um murro na ponta de uma navalha,
E que o sangramento eu, simplesmente,
Estanco em minha cara canalha.
Afinal, meu bem,
A vida é mais perigosa do que a morte,
E só conseguimos nos ver melhor
Quando nos jogamos na escuridão
Da vida e da sorte.
Eu mereço paz disso tudo,
Meu mulungo, meu bom capataz,
Paz dessa guerra de descelebrações
Que você faz.
Paz à mim,
Paz aos poetas.
Pois, os poetas não vão para o céu.
G.F.
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