sábado, 12 de outubro de 2013

MINHA VIDA MERECE MAIS!!

  Juro para vocês, que só estou aqui hoje, escrevendo, graças à uma amiga e ao seu maravilhoso texto no facebook que conseguiu, sem nenhuma dificuldade, me libertar de todo esse gigantesco e bizarro turbilhão de informações, dúvidas e bagunças que estão assolando minha cabeça e me obrigando a entrar em um bloqueio criativo desde que esse maldito 3º ano começou.
  Bem, vamos ao que interessa...
  Sim, o terceirão chegou e, com o último ano no colégio, vieram, também, várias outras responsabilidades, como: a maioridade penal, maior foco nos estudos, foco no vestibular, foco na sua futura faculdade, foco na sua futura carreira profissional, foco na sua futura estabilidade econômica, na sua futura, e gorda, aposentadoria e na sua herança que você DEVERÁ deixar para os seus descendentes e mais de um milhão de problemas banais que acabamos transformando em um bicho de sete cabeças. Mas, qual é o problema nisso, afinal?! Isso é o básico que um verdadeiro cidadão é obrigado a fazer antes de morrer, não é?!
  Será?! É aí que está. Ninguém sabe, ao menos, a verdadeira razão dessa excessiva saturação mental e sua ingênua competitividade, somente para garantir uma vaga em uma faculdade, através de um vestibular com um número tão absurdo de questões que é capaz de embaralhar qualquer cérebro são, e transformá-lo em um pudim de passas. Mas, o porquê disso tudo?! Por quê?! Por quê?
  Nunca me vi como um aluno dedicado, esforçado, inteligente, acima da média ou qualquer sinônimo dessas coisas, mas, também, nunca me vi como um burro alienado e nunca fui, na maioria das vezes, de fazer algo sem me questionar antes. Afinal, estou a 16 anos preso em um colégio, sem saber o porquê de estar ali, e o porquê de estarmos sendo treinados como cães em um canil, apenas para ficarmos prontos para competir em um maldito campeonato canino – Sente!  Lata!  Aprenda!  Não se mexa!  Trabalhe!  Não questione!  Não rosne!  Não morda!  -
  “Mas, ora essa, que pergunta idiota, vocês estão sendo treinados para a vida.”
  Era a resposta mais comum que ouvia dos professores e orientadores depois dos meus questionamentos em sala de aula.
  Uma breve vida, um mísero tempo que temos entre o nosso nascimento e nossa morte, um breve momento de cor, sabor, som e amor, mas que não temos mais tempo para aproveitar, mas tudo bem, afinal, estamos sendo treinados para a vida, certo?!
  Errado, e é isso que não aprendemos nas escolas: não nascemos para viver assim, não ganhamos a vida só para desperdiçá-la com 217391749837 (se duvidar, nem é exagero) horas de aprendizado de assuntos irrelevantes, que não tornarão nossas vidas mais felizes, não somos obrigados a aguentar toda essa preocupação, todo esse nervosismo, essa frieza, toda essa rivalidade. No entanto, estamos de tal forma, tão crentes e enraizados em um único sistema educacional, que não acreditamos que exista um mundo fora de toda essa paranoia.
  Então, onde eles erraram?! Infelizmente, em tudo e em nada. O verdadeiro problema está no falido e fracassado sistema educacional (não somente brasileiro, devo lembrar), onde nossa beleza é resumida em propaganda de novelas, shampoos anti-caspa, estereótipos e moda, onde nossa inteligência é resumida em notas, onde nosso futuro profissional é resumido em quem consegue ser o melhor em uma prova – não de conhecimento, mas de assuntos escolares - e onde nossa vida na sociedade é resumida na quantidade de números da nossa conta bancária.
     Frases, como: “Cai no vestibular?”; “Se eu não passar em uma faculdade boa eu me mato”; “Vou fazer medicina, direito ou engenharia, pois o resto não dá dinheiro”; “Quero fazer artes, mas meus pais não deixam, então vou fazer medicina para ficar rica”; já se tornaram terríveis clichês nas bocas de meus colegas pré-vestibulandos, de colegas que tiveram sua (verdadeira) visão tapada por uma viseira, chamada de “OBRIGAÇÃO SOCIAL”.
  Segundo Zygmund Bauman, “quando decidimos usufruir da liberdade, perdemos nossa proteção, assim como escolhemos seguir com proteção cedemos uma parcela de nossa liberdade”.
  Temos medo de tudo e todos, nessa eterna disputa, contra nós mesmos, em que vivemos. “Precisamos de proteção” e esse se tornou o lema desse sistema. A liberdade (a liberdade de viver de nossos sonhos) se tornou algo perigoso e proibido. Quem resolve fugir desse insano plano social se torna os “vagabundos” que vagam pelas calçadas dos grandes centros urbanos, os marginais que pedem esmolas.
   Não tenho como meta um estilo de vida espalhafatoso; não tenho como obrigação pessoal honrar minha família passando no primeiro lugar, na melhor faculdade, no curso mais disputado, pois, eu sei que, sendo minha família ela irá apoiar minha escolha, não importando se forem artes cênicas, cinema, arquivologia, biblioteconomia ou dança; também não tenho como meta trabalhar por dinheiro, pois irei trabalhar por diversão; não pretendo massacrar meus oponentes, pois, antes de tudo, eles são tão vítimas desse cruel sistema quanto eu; e, por fim, não pretendo subordinar minha vida ao vestibular, pois ela é muito mais do que isso.
  Não devo falar só por mim, quando digo que cansei de jogar esse jogo, cansei de ser só um mísero observador de minha própria vida, cansei de ser igual a todos os outros milhares de robôs programados para não pensarem, para estarem tão preocupados com o vestibular que ignoram os verdadeiros problemas fora de suas janelas, cansei de pensar como eles, cansei de tentar me enquadrar nesse patético padrão social, cansei de ser alienado como eles, cansei de agir como eles, amar como eles e, principalmente, viver como eles.

- G.F.

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