Juro para vocês, que só estou aqui hoje, escrevendo, graças à uma amiga e
ao seu maravilhoso texto no facebook que conseguiu, sem nenhuma dificuldade, me
libertar de todo esse gigantesco e bizarro turbilhão de informações,
dúvidas e bagunças que estão assolando minha cabeça e me obrigando a entrar em
um bloqueio criativo desde que esse maldito 3º ano começou.
Bem, vamos ao que interessa...
Bem, vamos ao que interessa...
Sim, o terceirão chegou e, com o último ano no colégio, vieram,
também, várias outras responsabilidades, como: a maioridade penal, maior foco
nos estudos, foco no vestibular, foco na sua futura faculdade, foco na sua
futura carreira profissional, foco na sua futura estabilidade econômica, na sua
futura, e gorda, aposentadoria e na sua herança que você DEVERÁ deixar para os
seus descendentes e mais de um milhão de problemas banais que acabamos
transformando em um bicho de sete cabeças. Mas, qual é o problema nisso,
afinal?! Isso é o básico que um verdadeiro cidadão é obrigado a fazer antes de
morrer, não é?!
Será?! É aí que está. Ninguém sabe, ao menos, a verdadeira
razão dessa excessiva saturação mental e sua ingênua competitividade, somente
para garantir uma vaga em uma faculdade, através de um vestibular com um número
tão absurdo de questões que é capaz de embaralhar qualquer cérebro são, e
transformá-lo em um pudim de passas. Mas, o porquê disso tudo?! Por quê?! Por
quê?
Nunca me vi como um aluno dedicado, esforçado, inteligente,
acima da média ou qualquer sinônimo dessas coisas, mas, também, nunca me vi
como um burro alienado e nunca fui, na maioria das vezes, de fazer algo sem me
questionar antes. Afinal, estou a 16 anos preso em um colégio, sem saber o
porquê de estar ali, e o porquê de estarmos sendo treinados como cães em um
canil, apenas para ficarmos prontos para competir em um maldito campeonato canino – Sente! Lata! Aprenda! Não
se mexa! Trabalhe! Não questione! Não rosne! Não
morda! -
“Mas, ora essa, que pergunta
idiota, vocês estão sendo treinados para a vida.”
Era a resposta mais comum que
ouvia dos professores e orientadores depois dos meus questionamentos em sala de aula.
Uma breve vida, um mísero tempo que temos entre o nosso
nascimento e nossa morte, um breve momento de cor, sabor, som e amor, mas que
não temos mais tempo para aproveitar, mas tudo bem, afinal, estamos sendo
treinados para a vida, certo?!
Errado, e é isso que não aprendemos nas escolas: não
nascemos para viver assim, não ganhamos a vida só para desperdiçá-la com
217391749837 (se duvidar, nem é exagero) horas de aprendizado de assuntos
irrelevantes, que não tornarão nossas vidas mais felizes, não somos obrigados a aguentar toda essa preocupação, todo esse nervosismo, essa frieza, toda essa
rivalidade. No entanto, estamos de tal forma, tão crentes e enraizados em um
único sistema educacional, que não acreditamos que exista um mundo fora de toda essa paranoia.
Então, onde eles erraram?! Infelizmente, em tudo e em nada.
O verdadeiro problema está no falido e fracassado sistema educacional (não
somente brasileiro, devo lembrar), onde nossa beleza é resumida em propaganda
de novelas, shampoos anti-caspa, estereótipos e moda, onde nossa inteligência é
resumida em notas, onde nosso futuro profissional é resumido em quem consegue
ser o melhor em uma prova – não de conhecimento, mas de assuntos escolares - e
onde nossa vida na sociedade é resumida na quantidade de números da nossa conta
bancária.
Frases, como: “Cai no vestibular?”; “Se eu
não passar em uma faculdade boa eu me mato”; “Vou fazer medicina, direito ou
engenharia, pois o resto não dá dinheiro”; “Quero fazer artes, mas meus pais
não deixam, então vou fazer medicina para ficar rica”; já se tornaram terríveis
clichês nas bocas de meus colegas pré-vestibulandos, de colegas que tiveram sua
(verdadeira) visão tapada por uma viseira, chamada de “OBRIGAÇÃO SOCIAL”.
Segundo Zygmund Bauman, “quando decidimos usufruir da liberdade,
perdemos nossa proteção, assim como escolhemos seguir com proteção cedemos uma
parcela de nossa liberdade”.
Temos medo de tudo e todos, nessa eterna disputa, contra nós mesmos, em que vivemos. “Precisamos de proteção” e esse se tornou o lema desse sistema. A liberdade (a liberdade de viver de nossos sonhos) se tornou algo perigoso e proibido. Quem resolve fugir desse insano plano social se torna os “vagabundos” que vagam pelas calçadas dos grandes centros urbanos, os marginais que pedem esmolas.
Temos medo de tudo e todos, nessa eterna disputa, contra nós mesmos, em que vivemos. “Precisamos de proteção” e esse se tornou o lema desse sistema. A liberdade (a liberdade de viver de nossos sonhos) se tornou algo perigoso e proibido. Quem resolve fugir desse insano plano social se torna os “vagabundos” que vagam pelas calçadas dos grandes centros urbanos, os marginais que pedem esmolas.
Não tenho como meta um estilo de vida espalhafatoso;
não tenho como obrigação pessoal honrar minha família passando no primeiro
lugar, na melhor faculdade, no curso mais disputado, pois, eu sei que, sendo
minha família ela irá apoiar minha escolha, não importando se forem artes
cênicas, cinema, arquivologia, biblioteconomia ou dança; também não tenho como
meta trabalhar por dinheiro, pois irei trabalhar por diversão; não pretendo massacrar meus oponentes, pois, antes de tudo, eles são tão vítimas desse
cruel sistema quanto eu; e, por fim, não pretendo subordinar minha vida ao
vestibular, pois ela é muito mais do que isso.
Não devo falar só por mim,
quando digo que cansei de jogar esse jogo, cansei de ser só um mísero
observador de minha própria vida, cansei de ser igual a todos os outros
milhares de robôs programados para não pensarem, para estarem tão preocupados
com o vestibular que ignoram os verdadeiros problemas fora de suas janelas,
cansei de pensar como eles, cansei de tentar me enquadrar nesse patético padrão
social, cansei de ser alienado como eles, cansei de agir como eles, amar como
eles e, principalmente, viver como eles.
- G.F.
- G.F.
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