E, olhando para o céu
Nublado,
Ouvi Iansã lamuriar,
Através das gotas que caiam,
Senti o céu chorar.
Vi o choro de Oyá.
Seu pranto,
Carregado de decepção
E desespero,
Para com seus filhos na terra
Que não conseguem amar.
Não sabem agradecer
O chão que pisam,
A água que vão beber
Ou a luz que os guiará.
Sua tristeza e
Mágoa puramente
Em estado aquoso
Se deixa cair no rio
Que corre para o sal do mar,
Levado por Oxum
Até Iemanjá.
E ela, entendendo esse
seu lado materno
a pegou para,
Em seus braços,
Ninar.
E Oxum,
Com a inveja de sua carência,
pela raiva se deixou tomar,
de um jeito que nem
Oxóssi, Logun Edé, Obá
Ou Oxalá
Pudesse acalmar...
Mas o que ela não sabe é que,
Mais raro do que é a raiva tomá-la,
É, na tristeza, sentir as gotas
E o som
do choro de Oyá.
G.F.
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