segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

XANGÔ CHEGARÁ

Subi na pedreira do rei
Mas lá ninguém encontrei.
Meu Deus, nos acode, Senhor!!
Pois, nesse país,
Sumiu Xangô,
E em seu lugar
Veio um impostor.
Desde que esse azul e amarelo
Viraram verde,
Oxalá vê seus filhos
Morrendo de fome e sede.
Hoje, o Vale do rio doce
Já não Vale mais nada.
Vejo Oxum chorando por seu rio morto,
Asfixiando-se com a lama tóxica,
Por conta desse mundo torto.
Onde foi parar o machado do nosso benfeitor?
Virou instrumento de lenhador?
E agora a balança da justiça
Pesa mais pro lado do investidor.
O machado do rei,
Virou o martelo de madeira
Contra o réu,
Fazendo nossos irmãos,
Por conta da cor,
Nunca mais verem o céu.
Os descendentes de Oió,
Vivem de violência, fome e opressão,
Nascendo com sangue nos olhos.
Ogum já veio e falou
Que esse senhor tudo aqui largou
Para jogar capoeira no exterior.
Mas, digo Kawó Kabiecilê para quem acha que
Justiça é feita por leis,
Obá Iná à quem tem medo de viver
E amar.
Mas, esperem...
Obá mandou avisar:
Que Xangô já, já, vai voltar.
Vem, venha Xangô,
Nos salvar de todo essa dor
E rancor.
G.F.

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