sábado, 2 de janeiro de 2016

PAÍS-SENZALA

Na periferia ainda existe ditadura,
Violência e repreensão,
E que, para a maioria,
Os jovens são criminosos
Em formação.
E gritam pela redução da maioridade,
Pra colocarem, cada vez mais,
Jovens na prisão.
Errou ao nascer,
E a pena vai ser de morte.
Mas, e a pena de morte
Para a morte?
Pois, a favela é, para eles,
Seu próprio país
De medo, desesperança
E sangue.

E a cena se repete:
Páscoa, pão, vinho
E crucificação.
Soltem o Barrabás e
Vamos invadir o
Complexo do alemão,
Pra matar um garoto que
Segurava o caderno na mão,
E agora, caído no chão,
Vira só mais uma estatística
Em mais uma matéria do Estadão.

E só depende de onde
Querem ver nossas crianças,
Se sentados numa biblioteca
Ou sentados em suas celas.

Pois, num país de senzalas,
A paz e a justiça são privilégios
Da Casa-grande.

G.F.

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