quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SECAMARGURA

Oh, meu Deus,
Será que o senhor, conosco,
Se arretou?!
Fazendo, assim,
Todas as nuvens parar
De nos dar toda a chuva que, nelas, há

Meu Deus, se eu não rezei direito
Ou pedi de mal jeito,
Peço que o Senhor me perdoe,
Acho que a culpa foi
Dessa minha pobre pessoa,
Que, de tão desesperado,
Não soube fazer uma oração.

Meu Deus, me desculpe
Eu pedir a toda hora,
Com o coração cheio de mágoa,
Pra o sol, de fininho, se arretirar,
Pra cair um tiquinho de água nessa imensidão,
Pra ver se nasce um alface no chão.

Senhor, me desculpe
Eu implorar para chegar o inverno,
Desculpe pedir para acabar com esse inferno
Que, dentro de mim,
Vejo se materializar,
Na minha Paramirim.

Nessa minha vida,
Que, parecida com cebola cortada,
Já me fez muito chorar,
Vira espinho de Mandacaru
Que adora me arranhar.

Mas que, mesmo com tanta
Secamargura,
Só me faz, por essa minha terrinha,
À cada dia, me apaixonar.

Pois, só deixo minha Paramirim
No último pau-de-arara.

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