quarta-feira, 29 de outubro de 2014

AS CORES

O ódio abraça esses cidadãos desse Brasil verde e amarelo,
Mas é entre o vermelho e o azul que se executa o maldito duelo,
Mas não entre o azul-perdão, focado na amplidão, abolindo a escravidão,
Nem entre o vermelho-paixão, união, energia e excitação,
Mas sim entre o azul dos olhos, jóias e vestidos,
E o vermelho-sangue nas nucas de seus filhos desaparecidos.

Argumento perdido que acerta o seu irmão,

Que cai, com seu corpo desabando-se pelo chão,
O querubim da ignorância e egoísmo corrompe o cidadão,
As palavras sem ideia machucam que nem uma bala,
Mas eis que ele levanta, nenhum arranhão, e tenta se vingar, já preparando o seu canhão.
E todo dia alguém aqui morre, pobre ou preto,
Como se esse fosse nosso decreto, imposto por completo,
Como escrito com suor da testa na dureza do concreto,

E nós achando que nosso trabalho está feito,

Logo após digitarmos dois números numa máquina, perfeito.
Esse é nosso feito, mesmo que estreito e malfeito, meio suspeito,
Mas foda-se, ele foi eleito, agora esperamos e morremos,
Esperando que ele aja com jeito, não há mais jeito.
Pessoas com a divina providência, mas que não luta pra criar sua própria independência,
Estagnados em seu próprio abismo, revolução de canto de cama, por conveniência,
De viver e con-viver com um vilão de terno tecendo suas malditas teias sobre nós,
Suas presas, talvez, por displicência.

G.F.

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