segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O SONHO

E é pela defesa das cores erradas que é salvo o dia,
E este é perdido pelas coisas que não se realizam por excesso de mediocridade.
E o genérico homem contempla o espelho de seu fôlego e índole,
E resolve procurar por sua ideologia filantrópica, sido antes soterrada sob seu orgulho e egocentrismo.

Ele cava, esburaca, até desobstruir o gigante e escuro abismo de seu ser,

Para, assim, mergulhar, e se perder, no sonho de seu antagonismo.
Se voltando para o outro, para que, juntos, possam amadurecer.

Este homem banal desnuda-se de sua arrogância para, só então, penetrar e sentir o coração e a essência do sonho.

Vendo, de seus próprios lábios, fugir a vaidade, de suas ideias, de suas autenticidades tão clichês,
Este tenta se desprender, e se prender, a este encantamento medonho.

Mas, de tão encantado, ele procura arrastar, resgatar e preservar este sonho,

Que foi, antes, tão desprezado.
No entanto, perdurante este seu ato de altruísmo e redenção,
Ele é surpreendido por cassetetes, armas, gritos e coerção.
E, banhado em seu sangue e morte, fraca e dolorosamente, ele se retira de lá, ainda com o cheiro da liberdade e do sonho à se propagar.

No entanto, eis que é abandonado um sêmen, que fertilizou esse seu libertário devaneio,

Que se esparramou e difundiu-se em um outro fútil ser-humano,
Gerando, assim, mesmo com o seu fecundador alheio,
A continuidade de seu ideal arcano.
Que continua por toda a eternidade, como sua recordação,
Morrendo e vivendo, na tentativa de realizar-se o irreal.

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