domingo, 5 de outubro de 2014

MISE-EN-SCÈNE

 Um salve para a verdadeira poesia. Um reflexo de nossas ações e comoções na ponta do lápis.
 Pois, para mim, esta é a verdadeira poesia: a homogeneização entre a ideia e a ação, entre emoção e a razão.
 E que a alegria e o tempo me gerem o ânimo necessário para que eu possa subsidiar esta podridão e caos que chamamos de mundo.
 E que, ao mesmo tempo, essa tristeza deteriorada em meu peito , movida por esta fluída, ingênua e errônea máscara de ator me relembre de que sou mortal, dramático, dionisíaco e torto.
 Para que, mesmo com essa minha encenação e gozo perante a vida, eu não consiga tirar, de mim mesmo, esta minha paixão por este umbigo do universo.
 Pois, mesmo com toda a alegria do mundo, a tristeza, esta maldita tristeza, não deixa de ser imortal.

G.F.

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