A dor sutil e alucinante do vazio do peito, como aquela sensação frívola que nós, indulgentemente, sentimos quando, ao apoiarmos no corrimão, descemos por uma escada molhada, temendo o vazio, de cair, de se esborrachar.
Sinto-me como naqueles sonhos em que acordamos de madrugada sobressaltados por acharmos que estávamos em plena queda livre. Me sinto numa permanente queda nesse equívoco e misterioso vazio. O Completo vazio.
Ôh, maldito vazio do peito, queria eu, poder transformá-lo em um pote e enchê-lo de água,
de amor, de raiva ou, até mesmo, de mágoa, e bebê-lo todo de uma vez.
Mas não.
Não, ele é apenas mais um - enorme - vazio, dentro desse vazio da minha subsistência.
"Como renovar sem antes, primeiro, virar cinzas?"
Essa frase entranhou-se em meus pensamentos. Mas, como virar cinzas se nem me queimar eu consigo?
Observo o sol esgueirar-se para de trás do mar.
Ah, se eu pudesse simplesmente fugir, como o sol...
G.F.
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