terça-feira, 5 de maio de 2015

INFERNO

E eu, como uma criança, com um tremendo espanto,
Inocentemente, olhando pra um escuro canto,
Que, de tão escuro, até a luz da vida apaga,
E onde a glória e a potência da miséria,
A cabeça da discórdia, afaga.
Onde vejo pessoas à vender esperança e Jesus,
Dizendo que, foi por nossa poupança, cartão de crédito e cifrão,
Que ele sangrou e morreu na cruz.
Para quê, assim como Fausto, possam vender sua alma ao diabo,
Passando, assim, pela cabeça daquele boy malcriado,
O triste veneno que já foi enraizado.
Esperando poder fazê-lo ver que, enquanto uns comem,
Outros não podem comprar uma cabeça de alho.
E fazê-lo desacreditar de que, em prol da sociedade, temos a gourmetização,
Onde se paga o salário de um mês por um pedaço de pão,
Mas que no final dizem que, é a arma na mão da fome
Que necessita de nossa atenção.

Como uma criança,
Embaixo do lençol, assustado,
Vendo esse mundo, de branco, se tornar acinzentado.
Mas, sabendo que trazemos, no peito, a indignação do anjo rebelado,
E que essa nossa revolta vai ser, na futuro, por um "Bom dia",
Um "Eu te amo" e um "Obrigado".
Para que, finalmente, possamos descartar essa nossa
Característica de inveja, dor e opressão,
Lembrando que, em cada ser humano há, também,
Batendo por vós, um coração.
E para que, juntos, possamos tornar
O pranto em riso
E transformar esse nosso inferno
Em paraíso.

G.F.

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