terça-feira, 5 de maio de 2015

A MELODIA DO SILÊNCIO

Quando fecho os olhos,
Presto atenção aos barulhos da noite
E ao barulho dos sonos dos outros,
Que me toca, na minha poesia ingerida.
Essa poesia que dança, distraidamente,
Esperando, apenas, ser contemplada.
Apenas seguindo a doce melodia lenta
Do piano que, se prestar atenção,
Conseguimos ouvir no vazio do silêncio.
Como uma fotografia,
Registrando tudo o que nos cerca,
Em nossa própria imensidão.
E é quando eu fecho os olhos
Que vem o silêncio da minha mente calma,
E consigo ver essa tal poesia invisível.
Uma doce melodia-silêncio, de alma.

A doce melodia do silêncio no entrelaçar dos
Olhares entre nós e uma senhora
Na fila do caixa da padaria.
A melodia do silêncio que, sensivelmente, me cala.
Do silêncio após eu acender meu cigarro,
Inalando fumaça,
Para não deixar escapar cotidianas desgraças.

Como, quando a melancolia me sequestra nos bares,
E entro em meus devaneios olhando pra a mesa ao lado,
E tentando imaginar o que os outros estão sentindo aos ares.
Onde, dentro de seus silêncios, estão suas raivas
E seus amores,
Suas decepções e seus vetores.
Do silêncio logo após um beijo apaixonado,
Da poesia lenta, da falta de barulho, um segundo antes
Do beijo entre o sol e o mar,
Banhado em escuridão e luz,
Na hora do sol se deitar.
O abraçar da noite.
Apenas ouvindo essa doce
Melodia do silêncio.

G.F.

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