E essa foi a última noite
Do jovem que vinha
Voltando do serviço
Na padaria.
Quando se viu
Empurrado,
Enxotado para o muro,
Imobilizado e enchido de murro.
E ele, sangrando, soltando seus urros
De dor e pesar,
Só imaginando sua família,
Que não ia mais poder sustentar,
E de sua mãe, na porta de casa,
Ali do ladinho,
No seu bairrozinho,
Só esperando
Ele chegar.
E seus gritos de socorro
Foram abafados
Pelos sons das rajadas
Das armas
E dos barulhos surdos,
Dos outros
12 corpos no chão.
E o governo grita:
"Bonitos dribles, meus craques".
E foi o que virou:
Um gol na copa do mundo do genocídio.
Onde o ódio e o racismo são
Os novos nomes da vez.
Uma copa que, sinceramente,
Espero que percamos,
Também, de 7 à 1.
Pois isso não me traz nada,
Além de tristeza
E en(cabula)mento.
G.F.
Nenhum comentário:
Postar um comentário