Me encosto nessa cidade que
Se recicla sobre pontes envelhecidas
E se reinventa ao som dos gritos
Nos barrancos dessa nossa favela-vida.
Com suas mesas fartas de fome
Nos becos escuros da exclusão,
E marcada pelas pegadas dos chinelos
Sujos pelo mangue.
Baseada nesse ultrapassado e meritocrático
Medo de nos igualarmos
E nos completarmos.
Podem calar suas
Bocas carnais
Mas, jamais, a safada,
Libertária
E arrotada
Boca da alma.
Onde nasce a revolta
E o desejo de lutarem.
Porque é isso que queremos,
e necessitamos,
a nossa própria, e louca,
liberdade de errar
e viver.
G.F.