quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

MAR-E-(POE)SIA:

Vasto oceano
De atuação,
Vasta falta
De relação,
Sem nenhum tipo de objeção,
Ambição ou
Exceção 

Porque a vida é mar,
Mar de criação,
Mar de imensidão,
Mar de rotação,
Mar de decisão,
Mar de aflição,
Mar de devoção. 
E, mesmo com contaminação,
Não aceito de alguém um "não",
E só molhar os pés, mermão.

Pois, a vida é um córrego na contramão,
E só existe uma, irmão,
Então pule de cabeça
Ou saia do meu calçadão.

Pois estou de maresia,
Estou em um mar de poesia.

G.F.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

PEDAÇOS

Morro em fatias, bocados,
Vivendo da parte inteira das divisões
Morro no mundo, atrás de uns trocados,
Vendo como conseguimos deixar tudo em frações.

Vivo em pedaços,
Me despedaço,
E eu, despedaçando
cada pedacinho
Dessa minha alma mal-lavada,
Me perco no coração de alguns conhecidos.
Eu, muitas vezes, me perdendo no mar,
na imensidão do vazio da sub-existência.
Como alguns corações, que se perdem no meu riacho,
Achando que é rio.

Na solidão, o solitário, na hora,
A si mesmo, devora.
Por isso eu prefiro a multidão,
Para poder devorar,
E ser devorado, por todos com aptidão,
E saber que, em cada pessoa,
Há um pedaço meu
E que, nesse pedaço,
Eu me torno, por inteiro, seu.

G.F.

sábado, 10 de janeiro de 2015

TUDO OU NADA

O magistral do pranto,
de chorar alegria e o agouro
De um geminiano com câncer,
De um canceriano com gêmeos,
Um gêmeo seu com câncer.

A escrita, em minhas mãos,
Nada mais são do que um jeito,
De falar o que não devo
E pensar no que não quero.
É triste saber do que se passa com você,
O arregaçar da morte ao te abraçar,
Eu sem poder estar lá.

E eu,
Na dor da perda,
Ainda não perdida,
Na essência da dor,
Ainda não vivida,
Vou me guiando,
Me entorpecendo,
Através dos meus vícios,
Me achando,
No amor sem amor.
No excesso do vazio.

E, enquanto, eu sou o nada de tudo,
Com você, será no tudo ou nada,
Eu querendo, apenas, poder chorar alegria,
Mas, dando a ultima tragada do cigarro,
Eu sorrio tristeza

G.F.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A SAUDADE DO VAZIO

E a mudança das cores era perceptível,
Com toda a dor no seu peito, enrustida, irredutível,
Esmagadora e imprevisível,
Passava-se, do mundo, na rua, com lentes cor-de-rosa,
Para o cinzento de tua rotineira agonia invisível.

Sua queda no vazio da inexistência,
Provou-me, mais uma vez,
De que nem todos tem o dom da resiliência.
A inesperada subtração de sua existência,
Provou-me, mais uma vez,
De que nem todos, diante da dor, conseguem domar a paciência.

Mas, apesar de meu forte pesar,
Não consigo parar de me perguntar,
E se conseguíssemos mudar essas tais cores,
Seria assim, também, que isso iria terminar?

Eu só espero que, agora, os querubins possam aproveitar de tua presença,
Uma vez que, de você, viveremos todos, agora, em uma hostil abstinência.
A saudade prevalece!

G.F.