Eu possuía um corcel azul em meu peito. Que obstinado
em sair, em se abjugar desse corpo que não lhe-servia, coiceava meu coração e
minha consciência. Já eu em, todavia, fazia de tudo para sustentá-lo lá dentro.
Despejava-lhe calúnias e paradigmas, enquanto ele repelia com autenticidades e
incertezas. Até que um dia, fraco demais, o-deixei sair. Correu autônomo,
enquanto eu o seguia com os olhos, querendo saber para onde ele iria. Quem ele
optaria para sua incumbência?! Contudo,
ele voltou e estagnou em meu crânio. Foi então que percebi que era a mim que
ele cobiçava, e aceitei. Hoje posso dizer que sou um humilde indivíduo com uma
pequena vaidade para ser filósofo. Ou, quem sabe, sou só um cidadão cansado de
presenciar tamanha tirania e abuso desse corpo social, que antes eu tentava
mascarar. Sou apenas um jovem escritor, com perspectivas de independência, que
se deixou levar pelo seu corcel famélico por justiça e sedento por igualdade,
um jovem sujeito que tem toda a capacidade de alterar essa colocação, e está sentenciado
a fazê-la, ou tentar. Mas não posso fazê-lo desacompanhado. Por tal razão, à
todos tenho uma enunciação: Livrar-se dessas rédeas a que estão presos e não
tenham a fraqueza de abnegar dessa situação catastróficas a qual nascemos
estabelecidos
- Geovane M. Filho
Blog voltado à exposição de meus pensamentos corriqueiros. Voltado ao colhimento de sementes de pequenas idéias que brotam em minha mente, ao meu registro do mundo delimitado pela minha própria ótica e moralidade. Meu pervertido, inútil e deturpado registro. Esse meu endiabrado diário.
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
ACHAVA QUE ERA ÓDIO...
E eu achava que era ódio. O que eu sentia pela maioria das pessoas não era somente uma antipatia, mas sim um sentimento muito mais pleno que tomava conta de mim. Era uma aversão à todos esses depravados seres humanos, sem exceção, nem regalia. Mais aí você se mostrou a mim como uma irrelevante fatalidade de um extremo choque de cordialidade. Seus cabelos formado por delicados caracóis castanhos, que formam um aliciante arranjo com seu sorriso gracioso e ingênuo, me mostraram que ainda poderia apreciar alguem nessa abominável sociedade. Você me fez imaginar, só de estar com você, em conhecer os anjos do mais longíquo céu, e os dêmonios na minha mais profunda escuridão psíquica. Pudia sentir uma extrema sensação de puro êxtase, mas tambem uma perdurável desesperança de que algum dia eu poderia dispor de teu amor. E assim eu durava, sem saber como me explanar, mas querendo conceder minhas entranhas para você estabelecer o que desejar.
- Geovane M. Filho
- Geovane M. Filho
sexta-feira, 22 de março de 2013
Eram três e meia de uma madrugada cinzenta
e fria, parecia que ia chover. Tinha acabado de sair de um boteco, após uma
noite com minha namorada Bárbara, uma garota de cabelos longos loiros e olhos
cor de mel. A-conheci na faculdade de jornalismo e agora nós já estávamos
comemorando três anos de namoro, com direito a várias brigas, xingamentos e
ameaças de abandono, mas estava dando tudo certo nesses últimos meses e era,
basicamente, a isso que estávamos comemorando.
Embora bêbado, peguei meu medíocre
carro celta de duas portas, para deixar “minha” garota em casa.
- Vamos, entre! – Chamei, tentando não demonstrar o tamanho do
estado da minha embriaguez.
- Não precisa se preocupar com isso, anda, você bebeu, deixe seu
carro aqui e vamos de táxi. – Ela sugeriu, torcendo para que eu aceitasse.
- Nada disso, não bebi mais do que três copos de cerveja, estou
ótimo, entre aí. – Insisti, nunca fui de perder batalhas tão fácil assim. Ela
suspirou, derrotada. Entrou, colocou o cinto e partimos em direção a sua casa.
No caminho, na orla do farol da cidade, um senhor, cabelos e barba
brancos, pele morena, magro e dono de um olhar sonhador, vestido com trapos e com
um cachorro Boxer o-acompanhando, se encontravam sentados em um ponto de
ônibus, olhando para a rua parecendo esperar aquele maldito coletivo que não
chegava.
- Querido, vamos dar carona a esse sujeito? – Bárbara sempre teve
esse incrível amor ao próximo e um coração enorme, talvez tenha sido uma das
características que mais me conquistaram, são completamente o oposto de mim.
- Não mesmo, não sabemos o que ele pode fazer, não é?! – Rebati,
não estava com cabeça para aquele papo sentimental, estava com sono e queria ir
logo para minha cama quente.
- Então, pelo menos, me deixe avisá-lo que ônibus nenhum passa
nesse horário da madrugada. – Pediu.
Mesmo contrariado, diminui a velocidade e paramos em frente ao
ponto.
- Ei amigo, são três e meia da manhã, nenhum coletivo passa nesse
horário. – Avisou Bárbara ao estranho, abaixando o vidro.
- Já são três e meia?! Pensei ser meia-noite ainda. – E riu,
descontraído e leve, como se não ligasse para o detalhe de ficar naquele ponto
até o dia amanhecer.
- Você mora onde? Aceita uma carona? – Perguntou minha namorada,
mesmo com minhas cotoveladas de rejeição e aviso.
-Claro, mas só se não for incomodo para o cavalheiro que está na
direção – Disse o desconhecido, apontando para mim e dando um sorriso com seus dentes
amarelos.
- Sem problema nenhum, pode entrar – Respondeu Bá em meu lugar,
não me dando nenhuma oportunidade de tentar me livrar daquela situação.
Ele levantou-se com gemidos e resmungos e entrou no carro.
- Vamos rapaz! – Gritou ele, chamando o cão para entrar também. Ajeitou-se
no banco de trás com e seu bicho de estimação e partimos.
Demoramos cerca de uma hora para alcançar a casa da afetuosa
Bárbara, e nesse tempo ela só fez conversar com o mendigo, que dizia se chamar
Bob.
- E este aqui se chama Darwin – O apresentou, acariciando a cabeça
do boxer.
- Gostei do nome, porque escolheu esse? – Perguntou minha garota
curiosa.
- Ele foi o mais forte, digamos assim, adaptado para a sobrevivência. Foi o único
cão que sobreviveu em um incêndio no seu antigo canil. – Respondeu.
E este foi o ponto chave da conversa até a porta do prédio dela. Parei,
desliguei o carro, ela se despediu de mim e dos seus novos amigos e entrou.
- Muito bem, já que não posso te colocar para fora porque isso só
faria minha namorada arrancar minha cabeça, vamos para onde agora? – Perguntei.
- Já que estamos perto, é só me deixar perto da saída da cidade e
está liberado – Disse, rindo e voltando a acariciar o cachorro.
Voltei a ligar o carro e acelerei. Queria chegar logo em casa e
não tinha tempo a perder. Sinceramente, não sei o que aconteceu nos minutos
seguintes, estava tão atordoado de cansaço que não ouvia sobre o que aquele
mendigo falava comigo.
- Gosta de cães? – Perguntou Bob, acredito que, para tentar puxar
assunto.
- Não mesmo, eles me irritam. – Rebati, sem prestar muita atenção
na conversa.
- Ora, porque odiá-los? Eles são mais puros e solidários do que
nós, isso eu garanto. – Respondeu um pouco magoado.
- É, pode ser.
Ficamos calados o resto do percurso inteiro. Só notei que chegamos
aos limites da cidade quando ele me pediu que parasse, dizendo que já estava
ótimo e me agradecendo pela carona.
- Claro, claro, nada
demais. – Foi tudo o que consegui responder antes de sentir um grande baque na
traseira do veículo e de ser jogado para frente, batendo meu nariz e queixo no
volante, desmaiando, ficando pendurado somente pelo cinto, sentindo o carro dar
cambalhotas e rodopios pelo ar, parando de cabeça para baixo no meio-fio.
Não sei por quanto tempo fiquei inconsciente. Acordei ainda atordoado
com o que tinha acontecido. Uma batida? Um acidente? Não consegui perceber de
imediato. Tentei visualizar algum outro carro na pista. Não havia nenhum.
- Algum filho da puta bateu em meu carro e fugiu, desgraçado! –
Praguejei, tentando me soltar.
No entanto, comecei a sentir um odor estranho, mas conhecido, um maldito
cheiro que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, e com que eu não
conseguisse me mover até assimilar o que ocorria. Gasolina.
Tentei me soltar freneticamente, sangrando, fraco demais, estava
derrotado. A primeira explosão ocorreu, espalhando adrenalina, terror e cacos
de vidro por todos os lados. Gritei. E como resposta, ouvi um longínquo gemido
de ajuda. Virei-me e vi o mendigo Bob caído no banco traseiro com uma
gigantesca haste de metal cravada em sua cintura.
- Meu Deus, temos que sair daqui, droga, consegue se levantar? – Gritei
desesperado.
Outra explosão. Segundo os meus cálculos, a próxima explosão seria
a maior, pois seria quando o fogo iria encontrar o motor e a gasolina, e não tínhamos
tempo.
- Corra, ande, corra! – Gritou Bob, suplicando.
- De jeito
nenhum, não irei sair daqui enquanto você estiver.
- Anda,
deixa de ser burro. Darwin leve-o para fora, agora! – Gritou ele para o
assustado cachorro, e tudo o que ele podia fazer era obedecer.
O gigantesco Boxer veio em minha direção e cortou o cinto de segurança com seus dentes de
navalha velhos e desgastados, me puxando, com boca, pela minha gola da camisa e me
arrastando para fora daquela confusão de cacos, fogo e gritaria. Assim que
alcancei um lugar seguro, a última explosão veio, com toda a sua imensidão e
fúria.
O infeliz
cão correu para os destroços atrás de seu dono, cheirando, cavando, procurando.
Depois de longos vinte minutos de procura e agonia começou a chover, ele se
deitou e não se moveu mais. Levantei com dificuldade, fui até ele, me sentei e comecei
a chorar.
- Venha Darwin! – Disse, enxugando meus olhos
na manga da camisa, acariciando o cão e me levantando. – Vamos para casa.
- Geovane M. Filho
- Geovane M. Filho
terça-feira, 19 de março de 2013
A LOUCURA DE SER LOUCO
Tenho um fascínio, quase caricatural, pelo excêntrico, pelo grotesco, por padrões que fujam dessa realidade fantasiosa e falsificada. Sou um entusiasta e devoto da loucura, dos que tem, e usufruem da loucura de amar, da loucura, de pensar contra tudo e todos, das loucuras de viverem pelo agora, sem ligar para o que está por vim, da loucura de ser diferente, e por isso empurram a raça humana para a frente, pois quem tem a loucura de acreditar que pode alterar o mundo, é quem muda. Talvez seja por isso que tento sujeitar-me a essa ideologia. Não tem mais graça continuar com essa monotonia corriqueira, apenas para esperar a morte chegar. Quero chegar ao final da minha trajetóra e poder refletir e dizer que não fui apreendido pelo conformismo da repetição dos velhos hábitos, e que pude usufruir desse limitado tempo vital. Possuo uma personalidade forte, sou indomável, não aceito restrições. Não quero nada com as regras!! Esses mandamentes que não permitem minha evolução, não me permitem mostrar quem sou, o que penso e faço. Não voltarei a seguir sem questionar, não voltarei a ser vacante nesse mundo virulento, sendo apenas mais um cara normal. Serei 'o cara' louco. Pois assim será mais aprazerado.
- Geovane M. Filho
- Geovane M. Filho
quarta-feira, 13 de março de 2013
CORRER NA DIREÇÃO CONTRÁRIA
E enquanto todos corriam em uma direção, atrás de seus objetivos, ele não se consentia em seguir a mesma diretriz, o mesmo ciclo vicioso destes desvalidos alienados que, com suas almas vendidas ao conformismo, e seus sensos críticos mortos pela rotina tóxica que essa sociedade os obriga a seguir, não usufruiam de seus privilégios de indivíduos terrestres. Todos cheios. Abarrotados desse afligimento supérfluo. Ganhar dinheiro, comprar uma casa com ar-condicionado, comprar um carro 2013, escapar da morte, ter filhos e etc. Ele não queria decorrer dessa rotina tosca, sem metas, sem finalidade. Queria apenas aproveitar o sintético e sucinto tempo que ele tem nessa dimensão física. Mas ele não queria apenas ir embora, sem ter feito nada para com seu povo e sua nação, ser apenas mais um que passou por aquele espaço, sem mudar a visão de alguem, ou pasmar esse estereótipo burguês. Queria ir embora idealizado, sabendo que suas ações contribuíram com a linha evolutiva humana. Gostava de sentir a excitação de um dever cumprido, de ser o precursor de um trabalho digno de motivar gerações.
- Geovane M. Filho
- Geovane M. Filho
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