A sutileza do silêncio
Blog voltado à exposição de meus pensamentos corriqueiros. Voltado ao colhimento de sementes de pequenas idéias que brotam em minha mente, ao meu registro do mundo delimitado pela minha própria ótica e moralidade. Meu pervertido, inútil e deturpado registro. Esse meu endiabrado diário.
domingo, 20 de novembro de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
VIOLÊNCIA
E no trânsito caótico do shopping Iguatemi
Meus olhos achavam em cada esquina um derrotado Zumbi
E as lagrimas em meus olhos expressam o que eu senti
Vendo os outros pretos, de moto, apanhando em uma blitz.
Dizem que salvador é a “cidade cartão-postal”
Mal sabem eles que atrás das fotos é que está o verdadeiro mal
Vivendo em poltronas e escritórios com ar-condicionado
Enquanto o povo derrete de calor do outro lado.
E eu aqui em pé esmagado nesse ônibus-pau-de-arara,
Não sei explicar pra gringo o que significa “mara”,
Porque de maravilhoso, assim, não tem quase nada.
E que nesse calor de salvador, quando pedimos uma chuva fina
Choramos ao saber que em algum lugar da cidade algo vai alagar
Essa é a nossa triste sina.
Porque viram armas dizem que o Brasil é violento
Mas a verdadeira violência está onde não se pode ver:
Como quando nos acostumamos com desmoronamento,
Quando preferem acreditar mais na mídia do que em você
Ou quando não podemos fazer feira por falta de pagamento
Do nosso árduo trabalho em não cairmos nessa loucura
E preferimos ir no boteco beber .
Se quando tem oferta também tem procura
Então como faremos com a nossa mundial cultura
Que incentiva a repressão, violência e a tortura?
Como um legista eu procuro saber sobre o mar morto
E morreu como?
A base de lixo, óleo e Omo
Nas, não mais brancas, espumas do mar
Intoxicando Iemanjá
E ainda querem que, suas casas, o tsunami não destrua
Então já comecem a aprender a nadar.
A televisão diz que a PM é pra nos proteger
Mas quando o ladrão é a polícia quem protege você?
Eles dizem que a favela é lugar de ladrão, macumbeiros e fracassados
Mas o que eles não falam é que lá dentro, entre si, são muito amados
Revolucionando esse mundo estruturado à base da violência e desgraças alheias
Vivendo a lá Spider-Man, cercados de infinitas teias
De dor.
E eu fico aqui pensando quando, de novo, descer o Salvador
Fico aqui apenas imaginando a sua dor
De ver uma cidade montada a base de seu nome
E a maioria da população tomados pela fome
E quando vier abrir de novo o rio vermelho,
Porque de mar aqui não resta mais nada,
Fico imaginando se, ao ver a água vermelha, ele vai achar que é Tang
Quando, na verdade, o que está escorrendo é nosso próprio sangue.
Mas tenho certeza de que se isso ocorrer hoje em dia
O próprio Jesus, para manifestações, junto iria
E por isso, também apanharia,
Também morreria,
Mas, pelo menos, saberia
Que, quando necessário, o amor de verdade
Não recusa barulho ou grito
Pra lutar por dignidade.
G.F.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
O PESO DO GRITO DA FUMAÇA
Sinto o peso me esmagar.
O peso do oceano
De sofrimento e emoções
Alheios.
O peso das minhas vidas
Passadas e futuras.
O peso da hereditariedade
E herança.
O peso da insustentável
Leveza do ser.
É muito peso!!
O grito é necessário:
Mas o que eles não sabem
É que eu choro e grito
Ao fumar.
Afinal, o trago é
O exemplo
Do prazer
Que vem da dor.
Pois, soltar a fumaça,
Nada mais é do que
Soltar aquele grito
Engasgado na garganta.
G.F.
terça-feira, 17 de maio de 2016
(NÃO) PERDOEM NÓS, OS POETAS
Perdoem nós, os poetas,
Se nos distanciarmos
Dessa conduta demarcada
Por cabeças pisadas
E por papel contado.
Perdoem nós, os poetas,
Por sofrermos com os nossos
E de usarmos nossos poemas
Como navalhas e marretas
Para nos salvarmos da ampulheta
Nessa selva de lobos.
Perdoem nós, os poetas,
Quando começarmos
A gritar esperanças por aí,
Colocando para sangrar
Nossas gargantas
E os ouvidos alheios.
Pois, nós, os poetas
Consumimos a poesia
E o tempo para nós
Nos é inútil.
Vivemos na busca
Do oásis do amanhã...
Pasárgada!!...
Onde não precisamos nos humilhar
Por comida e um novo lar,
Um mundo onde o amor seja lei
E onde todos sejam reis.
Pois, vivemos do amor e poesia
Por isso,
Perdoem nós, os poetas
Perdoem-nos...
Ou melhor...
Não perdoem nós, os poetas
Perdoa a ti.
E nós (não) perdoamos vocês.
G.F.
terça-feira, 15 de março de 2016
A INDECÊNCIA DA IMENSIDÃO
Hoje a lua me falou de você. E o sol fez questão de me mostrar Que dentro do brilho de teus olhos O pássaro que mora em meu peito Iria pousar Na imensidão de suas finas linhas. Pois, seus traços são os reflexos Do amor entre a luz do sol E o brilho do mar. Perdendo os sentidos, Talvez eu até não precise viver Quando estou a sentir. Pois, nossos corpos falam entre si Seguindo o balanço do mar: Indo e vindo, Somente a ofegar. Apenas seguindo nosso atos de amor O amor, renovando o pecado. E que nessa vossa imensidão Eu me achava em nossa indecência. Mas, nesse nosso jogo de amor, Sem a necessidade do ter, Meu peito, finalmente, assumiu a autonomia do meu ser. E continuo vivendo dessa Indecência da imensidão, De haver, em vossa mão, O meu coração. G.F.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
CIDADE (DE) PRA QUEM?!
É o desamor
Que reina na rua,
Em pleno carnaval.
Mostrando a face crua
Do verdadeiro mal
Por trás das máscaras da avenida.
Num oceano de peles brancas,
Camisas coloridas e ostentação
A maldade tem cor
De pele.
Quando rola o bloco do povão:
"Não vá!!"
Que, para eles, só tem preto ladrão,
"É arrastão!!"
Eu só oro para que
Pare com isso, Deus.
Não desampare seus filhos.
Mas, a voz do povo não é mais
A voz de Deus,
Pois, Deus está em cima do camarote
Mandando os milico fazer
Corredor polonês,
Onde os negros e ambulantes
São o alvo da vez.
Os fardados abrem
Espaços na multidão
E se você, preto fora da corda, vacilar...
Bad tum,
Tá no chão.
A cidade do mar
E a festa do axé,
São do povo,
Que tem cachê pra molhar a mão
São do povo,
Que tem cachê pra molhar a mão
Do policial
Quando for abordado doidão;
Enquanto, que o sangue de uma mãe que apanhou
Escorre pela rua,
Só porque seu isopor
Não tinha sido credenciado;
É acordada aos chutes
A tia que dormia no papelão,
A tia que dormia no papelão,
Apenas pra desocupar o lugar
Que o prefeito quer sentar;
Um catador morre à pauladas,
Só por tentar pegar uma latinha
No pé da CHOQUE;
Um neguin de relógio
Na avenida é abordado,
Levando logo sopapo,
"Porque?"
"Isso deve ser roubado!"
O cheiro do sangue da pipoca
Escorrendo dos cassetetes dos Suínos,
Cuja violência e repressão
Viraram hino,
Exala no ar.
Exala no ar.
No massacre que eles criam,
Caem salivando
E mastigando
O corpo dos inferiores.
A segurança virou temor,
A farda virou pele
E o distintivo virou esplendor.
A visão da cena é arrepiante,
Extasiado,
Eu desmorono
E a raiva e impotência tomam conta.
Meu orixá me avisou
De que o jogo virou.
O mundo já tem dono, bê
E o nome dele é: PODER!!
A cidade foi excomungada,
Do povo da periferia, desabitada,
E, de novo, a arma foi colocada na boca
E, de novo, a arma foi colocada na boca
De quem tanto vai para a forca.
E isso a televisão não exibirá:
O Apartheid brasileiro!!!
Mas a tempestade chegará!!
RE-Tomem de volta a cidade,
Filhos de soterópolis,
Vamos, essa selva cinza,
RE-Conquistar!!
Afinal, a cidade é de quem?!
Cidade pra quem?!
Cidade pra quem?!
G.F.
SECAMARGURA
Oh, meu Deus,
Será que o senhor, conosco,
Se arretou?!
Fazendo, assim,
Todas as nuvens parar
De nos dar toda a chuva que, nelas, há
Meu Deus, se eu não rezei direito
Ou pedi de mal jeito,
Peço que o Senhor me perdoe,
Acho que a culpa foi
Dessa minha pobre pessoa,
Que, de tão desesperado,
Não soube fazer uma oração.
Meu Deus, me desculpe
Eu pedir a toda hora,
Com o coração cheio de mágoa,
Pra o sol, de fininho, se arretirar,
Pra cair um tiquinho de água nessa imensidão,
Pra ver se nasce um alface no chão.
Senhor, me desculpe
Eu implorar para chegar o inverno,
Desculpe pedir para acabar com esse inferno
Que, dentro de mim,
Vejo se materializar,
Na minha Paramirim.
Nessa minha vida,
Que, parecida com cebola cortada,
Já me fez muito chorar,
Vira espinho de Mandacaru
Que adora me arranhar.
Mas que, mesmo com tanta
Secamargura,
Só me faz, por essa minha terrinha,
À cada dia, me apaixonar.
Pois, só deixo minha Paramirim
No último pau-de-arara.
Será que o senhor, conosco,
Se arretou?!
Fazendo, assim,
Todas as nuvens parar
De nos dar toda a chuva que, nelas, há
Meu Deus, se eu não rezei direito
Ou pedi de mal jeito,
Peço que o Senhor me perdoe,
Acho que a culpa foi
Dessa minha pobre pessoa,
Que, de tão desesperado,
Não soube fazer uma oração.
Meu Deus, me desculpe
Eu pedir a toda hora,
Com o coração cheio de mágoa,
Pra o sol, de fininho, se arretirar,
Pra cair um tiquinho de água nessa imensidão,
Pra ver se nasce um alface no chão.
Senhor, me desculpe
Eu implorar para chegar o inverno,
Desculpe pedir para acabar com esse inferno
Que, dentro de mim,
Vejo se materializar,
Na minha Paramirim.
Nessa minha vida,
Que, parecida com cebola cortada,
Já me fez muito chorar,
Vira espinho de Mandacaru
Que adora me arranhar.
Mas que, mesmo com tanta
Secamargura,
Só me faz, por essa minha terrinha,
À cada dia, me apaixonar.
Pois, só deixo minha Paramirim
No último pau-de-arara.
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