terça-feira, 6 de outubro de 2015

MORR(VIV)ER

Se eu morrer,
Não chore, não.
É só minha última poesia
Nessa minha vida
Encarnada.

Assim que Obaluaê me levar,
Pra junto do mangue irei,
Deixando-me arrastar
Para a próxima etapa do
Cosmos e do
Aiyê.

Mas, sorria!
Sorria, porque eu não vivi
No infortunio da eterna tristeza,
Movida pelo apego.
E dela nada mais espero
Quando for embora,
Para as profundezas.
Pois,
Só chora com a morte
Quem morreu sem ter vivido.
E eu tento viver, a cada dia,
Mais atrevido.

Se sentires saudade de mim,
Olhes para cima e
Lembre-se:
Estarei sempre te olhando
Da constelação
De Gêmeos.

Pois, ao fechar eternamente
Meus olhos,
Não será nem no céu,
Nem no inferno,
É no ar que irei morar.
Junto com Tempo e Oxóssi,
Fazendo do mundo,
Minha morada.

Pois, no final, estarei dividindo um cigarro
Com meus cumpadres: São Jorge e
Zé Pelintra;
Bebendo da cachaça do Dragão;
Fazendo uma festa no Òrun;
E dando risada na lua.

G.F.

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