quinta-feira, 10 de abril de 2014

A MORTE ESQUECEU-SE DE MIM

Eis que não sou eu escrevendo, estou bêbado, 
É apenas essa minha gélida e amargurada alma que,
Através desses meus trêmulos dedos ossudos e debilitados,
Dança a melodia da minha melancolia e mágoa.

Uma alma que, de tanto ser aprendiz da vida,

Da vida, do cosmos e do amor, virou professor,
Sem uma melíflua expectativa para o futuro,
Enquanto, do passado tento me livrar, com o meu dispersor.

Uma alma abarrotada de décadas de desilusões e moléstias,

Do soldado, que se despede de sua donzela, aos prantos,
Do pai, que pragueja a perda do filho, acumulando condolências.
Da percepção da ida de todos os queridos, sem despedidas, só fragmentos.

E, camarada ao imenso vazio em meu peito, meu corpo vai se moldando,

Passando da minha lampra e impulsiva juventude a minha enrugada velhice.
De saudades que possuo dos meus inimigos e amores,
Espero a morte que não vem, respirando e morrendo, mas não morro.
Pois a morte esqueceu-se de mim.

G.F.

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