quinta-feira, 19 de setembro de 2013

INVEJA

   Sinto inveja daqueles malditos casais apaixonados que tanto povoam os parques das cidades, de mãos dadas e selinhos trocados às escondidas. Sinto inveja das pessoas que encontram seu “amor” – se assim eu posso chamá-los -, eu vejo a felicidade e o descobrimento de um novo mundo, de um novo horizonte neles, quando encontram o olhar da pessoa amada. Que inveja. Às vezes sinto como se vivesse somente para procurar, procurar algo, ou alguém. Sempre procurando, só procurando.
  Não vou mentir que eu adoro essa sensação de liberdade que me cerca, essa liberdade de ir e vir, a liberdade de não ser tão indefeso como um apaixonado, que vive somente para a pessoa amada. Porém, sinto saudades dessa minha época de um otário apaixonado. O amor é só para quem não entende nada da vida, ou para quem já não tem nada para aprender com ela.
  Como o amor chega a ser engraçado: vivemos de coragem, mas na hora da demonstração caímos bambos, como palhaços de circo em pernas-de-pau. Tão ridículo.
  Já cheguei a odiar antigos amores, pois conseguiram - mesmo que em segredo - levar com elas um pedaço do meu desgraçado coração. Malditos pedaços que não irão voltar. Amores que, talvez pelo meu egocentrismo, acreditava que deveriam viver para mim. Nossa como eu estava errado.
  Sinceramente, acho que desaprendi a amar, desaprendi a sentir aquelas maravilhosas borboletas no estômago, aquele nervosismo ao se conversar e se abrir com a pessoa amada. Talvez eu seja apenas um iniciante, tentando dar um salto mortal de costa, ou talvez eu já seja um profissional querendo apenas descansar. Não importa.
  Talvez eu devesse ficar puto com o que já me aconteceu e com o que eu sinto agora, mas como posso ficar puto com tanta beleza nesse mundo e nessa vida?!
  Sinto como se – mesmo com toda minha inveja – existisse uma dança secreta por trás de todo casal apaixonado, uma dança rítmica que, se você prestar bastante atenção, também poderá enxergar. A dança da vida. Tudo mágico e lindo, tudo completamente desnecessariamente necessário, me mostrando que não preciso temer a nada, pois a vida é maravilhosa demais para isso, mostrando que sempre temos tempo.
  Talvez eu só consiga fazer algum mal a mim mesmo, talvez seja para isso que eu nasci - sinceramente, tanto faz para mim - mas, enquanto durar a beleza dessa “dança”, continuarei muito bem apenas como espectador.

- G.F.

Nenhum comentário:

Postar um comentário