quinta-feira, 11 de julho de 2013

AMOR, DISFORME AMOR!



Depois de abandonar a Rússia, estudar em Cambridge (onde se licenciou em literatura russa e francesa) e morado em Berlim (onde trabalhou como tradutor), Vladimir Nabokov teve que fugir do exército nazista e, após uma estada em Paris, chegou aos Estados Unidos em 1940, onde atuou como escritor e professor de literatura russa e onde, principalmente, criou suas principais obras.
  
  Lolita, um romance escrito em inglês, publicado em 1955 - mas que ainda continua genialmente atual - além, também, de ganhar fama por ter sido extremamente polêmico - já que foi rejeitado por diversas editoras que diziam se tratar de "pornografia pura" e que "nunca faria sucesso" - rendendo a Vladimir uma obra-prima e o TOP 11 dos "livros mais polêmicos da história" pela revista “Mundo Estranho”.

  Este livro chegou ao meu conhecimento por parte de uma grande amiga (e Mari, estou te devendo uma!) e que, com seu enredo em 1ª pessoa (que infelizmente, ou felizmente, nos passa somente uma visão contaminada, uma visão parcial movida somente pela visão do próprio protagonista), a riqueza de detalhes dos lugares e pessoas e a inteligente capacidade de saber o que o protagonista pensa e sente, conseguiu atrair minha atenção, minha completa devoção, como um imã, uma força gravitacional que me puxou para a trágica história de Humbert Humbert, um professor de poesia francesa de, aproximadamente, 40 anos que, por razão de um romance traumático em sua juventude, se descreve como um pervertido, uma pessoa que possui uma necessidade diabólica de querer garotas jovens e que acaba por se deparar com sua personificação, com sua criação imaginária e completamente mortalizada: Dolores Haze ("Dolores, Dolly, Lô, Lola, Lolita, a minha Lolita") uma garota - que depois vira sua enteada - de apenas 12 anos e que, através de sua imagem passada pelo romance, possui uma certa ambiguidade em suas ações, sendo descrita por Humbert  como uma garota com uma áurea infantil, mas que, em certas partes do livro pode-se perceber, através de suas ações, a sua mentalidade "ninfeta" manipuladora e controladora.

  Lolita é um livro que - queira goste, ou não - é lido pela ansiedade, pela curiosidade de descobrir o que acontecerá na próxima página, no próximo capítulo, no final do livro... Lembro-me que enquanto eu lia o romance, várias pessoas (e foram várias mesmo) me perguntavam:  "Como consegue gostar de um livro desses? Você não acha que esse livro é completamente doentio ?!". Sinceramente, não posso e não devo negar essa ideia. O livro fala de um caso imundo? Sim! Vladimir foi completamente depravado ao escrever sobre um amor tão incomum e hediondo? Sim! Mas estamos somente focados na visão imposta por uma cultura, uma sociedade. Afinal, quem definiu sobre o que é a moralidade e o desprezível? 

  Pode-se falar o que quiser do romance, mas de uma coisa nós - todos nós - podemos ter a certeza: Nabokov foi extraordinariamente atrevido ao publicar um livro que, além de ser bastante polêmico, pisoteia a cara da moralidade de uma época em que o tabu da pedófilia era demasiadamente rigoroso.
  
  A história de uma paixão tão obscena, tão depravante que acaba por cativar o leitor. Uma história onde você acompanha a trajetória do declínio da razão do protagonista Humbert Humbert, de suas faculdades mentais, que, por medo de perder, acaba por sufocar o seu "amor proibido", sua Lolita, de tal modo que ela tenta desesperadamente se ver livre desse "monstro" e que, claro, só poderia acabar em tragédia!

  Mas devo descaradamente dizer que, ao terminar o livro eu me encontrava de tal forma preso na narrativa cativante - mas, ao mesmo tempo cansativa pelo excesso de detalhes e descrições, além de ditados e citações em francês que, para pessoas monoglotas como eu, acaba por se tornar bastante desgastante - de Nabokov que, em minha cabeça a história não tinha acabado. A conclusão da obra me levou à um ócio cogitativo, uma espécie de transe onde, através das diversas informações e comentários contidos no livro, me vi obrigado a pensar em todo o tormento vivido por Humbert até a hora de sua morte e em como as situações repentinas acarretaram numa ruína para os dois lados opostos do romance. Um livro que divide as opiniões dos leitores - sobre a verdadeira natureza de Humbert Humbert e Dolores Haze - desde a primeira página até o posfácio. 


  Para concluir, antes que comecem os julgamentos precedentes à leitura eu vos-sugiro: Ame, morra de amor, veja seu amor te desprezar a cada dia, cometa um amor extasiante mas proibido, esqueça as moralidades a que a sociedade ordena que obedeça e debruce-se nas páginas e conheça a tristeza e o cinismo natural de Humbert nesta maravilhosa obra-prima da literatura contemporânea que, sem dúvida nenhuma, tem todo o direito de se encontrar na lista das obras mais inesquecíveis do século XX.

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