É o desamor
Que reina na rua,
Em pleno carnaval.
Mostrando a face crua
Do verdadeiro mal
Por trás das máscaras da avenida.
Num oceano de peles brancas,
Camisas coloridas e ostentação
A maldade tem cor
De pele.
Quando rola o bloco do povão:
"Não vá!!"
Que, para eles, só tem preto ladrão,
"É arrastão!!"
Eu só oro para que
Pare com isso, Deus.
Não desampare seus filhos.
Mas, a voz do povo não é mais
A voz de Deus,
Pois, Deus está em cima do camarote
Mandando os milico fazer
Corredor polonês,
Onde os negros e ambulantes
São o alvo da vez.
Os fardados abrem
Espaços na multidão
E se você, preto fora da corda, vacilar...
Bad tum,
Tá no chão.
A cidade do mar
E a festa do axé,
São do povo,
Que tem cachê pra molhar a mão
São do povo,
Que tem cachê pra molhar a mão
Do policial
Quando for abordado doidão;
Enquanto, que o sangue de uma mãe que apanhou
Escorre pela rua,
Só porque seu isopor
Não tinha sido credenciado;
É acordada aos chutes
A tia que dormia no papelão,
A tia que dormia no papelão,
Apenas pra desocupar o lugar
Que o prefeito quer sentar;
Um catador morre à pauladas,
Só por tentar pegar uma latinha
No pé da CHOQUE;
Um neguin de relógio
Na avenida é abordado,
Levando logo sopapo,
"Porque?"
"Isso deve ser roubado!"
O cheiro do sangue da pipoca
Escorrendo dos cassetetes dos Suínos,
Cuja violência e repressão
Viraram hino,
Exala no ar.
Exala no ar.
No massacre que eles criam,
Caem salivando
E mastigando
O corpo dos inferiores.
A segurança virou temor,
A farda virou pele
E o distintivo virou esplendor.
A visão da cena é arrepiante,
Extasiado,
Eu desmorono
E a raiva e impotência tomam conta.
Meu orixá me avisou
De que o jogo virou.
O mundo já tem dono, bê
E o nome dele é: PODER!!
A cidade foi excomungada,
Do povo da periferia, desabitada,
E, de novo, a arma foi colocada na boca
E, de novo, a arma foi colocada na boca
De quem tanto vai para a forca.
E isso a televisão não exibirá:
O Apartheid brasileiro!!!
Mas a tempestade chegará!!
RE-Tomem de volta a cidade,
Filhos de soterópolis,
Vamos, essa selva cinza,
RE-Conquistar!!
Afinal, a cidade é de quem?!
Cidade pra quem?!
Cidade pra quem?!
G.F.