sábado, 25 de abril de 2015

TERRA DE NINGUÉM

Do nosso amor amador, 
Eu como do fruto, meu amor.
Vivendo desse amor que fala que pode,
Mas, que depois me morde
Pelas costas, sem querer.
Dentro do meu, e do teu, desejo,
Que tem um lado solidão
E outro lado prazer.

Do nosso fruto amador,
Eu como do nosso amor, minha dor.
Porque esses nossos encontros ao acaso,
Não passam da coincidência brincando com nós,
Então que possamos aproveitar isso a sós,
Penetrando em nosso susurro de auto-falante
E silêncios de liquedificador.
Vivendo da ansiedade de te ver,
Pela pirraça de te ter,
Sem poder.

Contudo, nos amamos e nos soltamos,
Procurando, um ao outro, provocar.
Presos nesse nosso laço feito de pêlo,
Para não sufocar.
Porque do nosso amor-chama,
Que queima e vira, depois, fumaça,
Nosso amor, a janela do carro, embaça
Mas que, infelizmente, depois passa.
Afinal, o espaço é o tempo morto de alguém,
E é no nosso espaço que está o nosso amor.
Numa terra de ninguém.

G.F.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MINHA MISSÃO

Eu Nasci na Bahia, em Salvador,
E, enquanto eu, na infância, fui cordeiro,
Com meu coração preenchido por inteiro
Com todas as formas de dor e amor,
Acabei zarpando fora, para o mundo, sem freio,
Abençoado por Oxóssi, Iemanjá, Iansã e Xangô.

Seguia o que me mandavam fazer,
Mas, jogado ao mundo com esse sangue,
Escorrendo e pingando à dendê,
Logo percebi que tinha algo errado, irmão,
Até que, finalmente, percebi nos livros, e na poesia,
De que eu nasci para estar na contra-mão.
E de que era o tédio, que, para a minha loucura, 
É quem dava o fundamental empurrão.

Tudo isso apenas para eu abraçar
Minha nobre e primordial missão:
O movimento, a liberdade,
O amor e a indignação.

G.F.

REVOLUÇÃO

E, desafio o que foi imposto,
E ataco, na mais sutil mansidão,
Calando, com os meus berros loucos,
Esse canto triste dos outros gritos roucos.
Num mundo onde somos muitos,
Mas vivemos e morremos por poucos,
Este se torna o meu maior ato de revolução:
Ser moradia de um amor sem dono,
Sem sono
E sem restrição.

G.F.