Do nosso amor amador,
Eu como do fruto, meu amor.
Vivendo desse amor que fala que pode,
Mas, que depois me morde
Pelas costas, sem querer.
Dentro do meu, e do teu, desejo,
Que tem um lado solidão
E outro lado prazer.
Do nosso fruto amador,
Eu como do nosso amor, minha dor.
Porque esses nossos encontros ao acaso,
Não passam da coincidência brincando com nós,
Então que possamos aproveitar isso a sós,
Penetrando em nosso susurro de auto-falante
E silêncios de liquedificador.
Vivendo da ansiedade de te ver,
Pela pirraça de te ter,
Sem poder.
Contudo, nos amamos e nos soltamos,
Procurando, um ao outro, provocar.
Presos nesse nosso laço feito de pêlo,
Para não sufocar.
Porque do nosso amor-chama,
Que queima e vira, depois, fumaça,
Nosso amor, a janela do carro, embaça
Mas que, infelizmente, depois passa.
Afinal, o espaço é o tempo morto de alguém,
E é no nosso espaço que está o nosso amor.
Numa terra de ninguém.
G.F.