Fixo aqueles olhos imparciais, turvos e imprevisíveis. Ele me julga, eu sei que ele o-faz.
Mas quem é você para censurar-me, aparição? O que tem minhas ações, minha autodestruição e meus cigarros com o teu afiado olhar oblíquo?
Não nos falamos, eu aceno e ele me responde com o mesmo aceno. Vou embora. Atravesso a rua. Ouço a buzina e os gritos. Sinto a dor. De relance, olho o meu reflexo ensanguentado nos cacos de vidro no chão. Ele está rindo.
G.F.
G.F.