Não sei bem o que foi aquilo. Uma gota da minha
tristeza salgada, imaculada e ilusória derramando-se pelo meu rosto inexpressível
ao admirar o breu e as estrelas da minha janela. Talvez seja só sentimentalismo
em demasia.
Mas, afinal de contas, que tristeza? Qual motivo
para tanto sentimentalismo vindo de alguém tão extremamente racional e
calculista – frio, como um iceberg pronto para afundar qualquer que seja o
Titanic que viesse em minha direção -? Na verdade, essa é uma das minhas poucas
qualidades apreciadas por mim mesmo: A independência sentimental, mas que,
aparentemente, está sendo arrebatado pela beleza da solidão dessas noites
escuras e quentes de verão.
Nunca liguei para a solidão, sempre a via
como uma amiga, uma antiga companheira, pronta para abrir seus braços e me
abrigar no momento em que eu mais precisasse. Mas, ainda assim, para que essa lágrima?
Arrependimento? Não tenho – e continuo não pretendendo
ter -
Culpa? Pelo o que?
Inveja? Não causaria esse clima tão down.
Não sei ao certo, talvez seja só uma advertência
interna avisando que está na hora de rever essas minhas posturas sacanas e
depravadas. Não sei, pode ser. Contudo, não sei se
consigo ser de outro jeito. Na verdade, não quero ser de outro jeito – mas o
que é que eu estou falando?! Que se fodam todos! -, tudo o que conquistei foi
sendo assim, então porque mudar?
Sendo este geminiano em aquário compreendo a
importância e necessidade da mudança, até porque tenho quase uma obsessão com
ela. É cansativa e às vezes enoja, mas a adoro. Talvez eu seja só mais um
louco, ou algo do tipo, mas isso ainda não me responde a razão da minha perdida
e tão indesejada lágrima.
Parece que tenho que começar a me acostumar
com a ideia de que a vida tem dessas coisas e então – só então – poderei dormir
mais tranqüilo e leve.
- G.F.
Me identifiquei muito man. Parabéns, muito bem escrito e mesmo sem tua assinatura eu poderia ver suas mãos escrevendo isso. Aquele abraço.
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